Esta eleição presidencial é a primeira em que as propostas de terceira via (na falta de um nome melhor) se alinham à direita. Mas seu sofrimento não vem sendo diferente do vivido pelas versões à esquerda nas eleições anteriores. Todas mostram grande dificuldade para transmitir expectativa de poder. Com pouca militância e organização social frágil, penam para atravessar o deserto e não chegam a reunir massa crítica. E aí não conseguem projetar expectativa de poder.
É um ciclo infernal.
Talvez as dificuldades do terceirismo devam ser buscadas, em primeiro lugar, no conceito em si. Começando pela constatação de que não existe um centro, mas dois. Há os ditos progressistas infelizes com a hegemonia do PT e há os liberais e conservadores incomodados com o domínio bolsonarista sobre o eleitorado do centro para a direita. Não espanta, portanto, a dificuldade que se repete periodicamente quando tentam fazer o casamento do jacaré com a cobra-d’água.
Outro entrave é o centrismo sentir-se obrigado a ser oposição estridente aos dois polos. Condena-se de antemão a restringir seu mercado aos nem-nem. Se o sujeito vai abrir uma pizzaria numa rua em que outras duas já disputam e dividem a clientela, sair falando mal da concorrência não parece ser o mais inteligente. Melhor tentar espalhar o que você oferece de vantagem para o consumidor, por que ele deve experimentar a novidade.
Sem chamar o sujeito de burro por frequentar a pizzaria ao lado.
Pior ainda quando se cai no equívoco de centrar fogo, na primeira oportunidade, em quem está ideológica e politicamente mais próximo, para tentar roubar-lhe o eleitor. No caso da direita, isso tem sido flagrante. O eleitor de direita que até poderia pensar em buscar alternativas ao bolsonarismo olha e conclui que a concorrência está mais interessada em derrotar Flávio do que em impedir que Lula ganhe mais quatro anos no Planalto.
E, como boa parte dos eleitores polarizados pelo petismo e pelo bolsonarismo só estão mesmo interessados em derrotar o outro lado — a velha história de que o eleitor de segundo turno mais quer derrubar alguém do que eleger alguém —, a consequência é aumentar a própria rejeição. Isso talvez explique em parte por que candidatos antes desconhecidos são mais rejeitado quanto mais vão sendo conhecidos.
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