A eleição presidencial de 2022 foi decidida em São Paulo. Quem diz é a aritmética. Quatro anos antes, a diferença no estado entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad tinha sido de 8,1 milhões de votos. Em 2022, Bolsonaro liderou sobre Lula entre os paulistas, mas a diferença caiu para 2,7 milhões. Sabendo que Lula ganhou de Bolsonaro nacionalmente por apertado 1,9 milhão, basta fazer as contas.
A mesma análise sobre os demais estados mostra que, em números absolutos, a oscilação de ambos os campos entre as duas eleições teve peso apenas relativo no resultado nacional. O que decidiu foi a forte recuperação do petismo em São Paulo. O andamento desta eleição está bem parecido com o desfecho da anterior, então é razoável colocar o foco em São Paulo para as previsões terem maior probabilidade de acerto.
Uma característica da eleição paulista em 2022 foi o eleitor votar em bloco para governador e presidente. Bolsonaro ficou à frente de Lula por 55,2% a 44,8% e Tarcísio de Freitas venceu Haddad por 55,3% a 44,7%. O alinhamento repetiu-se na capital, onde ganharam Lula e Haddad, e, claro, no interior, onde prevaleceram Bolsonaro e Tarcísio, o que levou ao resultado final de vitória da direita no estado nas duas corridas.
No momento, Tarcísio lidera as projeções de segundo turno com cerca de 60% a 40% sobre Haddad, mas Flávio Bolsonaro só tem cinco pontos percentuais de vantagem sobre Lula em São Paulo. Um complicador para Haddad e Lula é o candidato de ambos a prefeito da capital, Guilherme Boulos, ter sido derrotado pelos mesmos 60% a 40% dois anos atrás pelo incumbente Ricardo Nunes, que tinha o apoio de Tarcísio e Bolsonaro. Isso apesar de, como vimos, a esquerda ter vencido na cidade dois anos antes.
Faz sentido Lula ter lançado Haddad para governador, mesmo com pouca perspectiva de vitória (ainda que, como diz o ditado mineiro, eleição e mineração só depois da apuração), pois perder de pouco em São Paulo é essencial para o petista na corrida contra Flávio Bolsonaro. E um risco real para o presidente é o eleitor de Tarcísio em algum momento concluir que a troca de guarda em Brasília seria boa para São Paulo.
Apesar da evidente, no momento, resistência de parte desse eleitorado a um bolsonarismo mais raiz. Resistência que até agora não cola no governador, cuja campanha está ancorada em entregas, resultados. Uma estratégia que dá sinal de alavancar não apenas Tarcísio, mas também outros incumbentes que pareciam vulneráveis a desafiantes.
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