À medida que a Copa do Mundo vai atingindo seu auge, e o fim do torneio aponta no horizonte, a campanha eleitoral ganha impulso. Vamos entrando no período de certa restrição à propaganda governamental e algum reequilíbrio na habitual desigualdade de armas esculpida em lei pela bizarra regra trazida por Fernando Henrique Cardoso em benefício próprio: quem concorre àreeleição no Executivo não precisa se desincompatibilizar, mas quem o desafia precisa deixar qualquer cargo e atravessar a campanha na chuva.
Teremos na disputa de 2026 a oportunidade de talvez solucionar um enigma irresolvido de 2022. A esta altura naquele ano, as projeções de segundo turno traziam na média, segundo o ótimo site pollingdata.com.br, Luiz Inácio Lula da Silva treze pontos percentuais àfrente de Jair Messias Bolsonaro. Como se sabe, a diferença final foi de menos de dois pontos. Hoje, a média aponta Lula apenas três pontos acima de Flávio Bolsonaro. O enigma: quatro anos atrás Bolsonaro conseguiu reduzir a distância por mobilizar a direita ou por ser governo?
Se a razão principal foi a primeira, Flávio tem boas perspectivas. Se for a segunda, a tendência é Lula abrir conforme a campanha avançar. Os fatos, sempre teimosos, dirão. E será necessário sempre, por cautela, descontar da contabilidade a tradicional assimetria entre intenção de voto, medida sobre o total do eleitorado, e resultado da urna, assimetria causada pela parcela em torno de 10% do eleitorado dispostos a escolher candidatos em pesquisas, mas que não aparecem no dia para votar. Acontece mais nas camadas de menor renda e escolaridade.
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