O efeito "Dark Horse” parece ter sido absorvido e digerido pelo ambiente pré-eleitoral, deixando em aberto a intensidade do vetor antissistema/anticorrupção quando a campanha oficial der a largada com as entrevistas, debates e programas de rádio e tevê. A aposta predominante até agora é relativizar esse veio da disputa, dada a dificuldade de as alternativas aos blocos hegemônicos ganharem impulso. E dada a ubiquidade das encrencas e encrencados.
Os números fazem crer que houve um solavanco, com o incumbente ganhando uns pontos, principalmente por causa das fortes iniciativas econômicas expansionistas e da divulgação maciça que as acompanha. Mas o solavanco não parece produzir uma vantagem mais confortável ao líder, talvez por o governo tentar apenas anestesiar no varejo um problema que pede solução no atacado: libertar as forças produtivas para permitir a aceleração do crescimento.
A eleição está perto demais para o governo operar essa necessária correção de rota. Em certas circunstâncias, tentar desviar do iceberg muito perto dele é mais perigoso que pagar o preço pela inevitável colisão. O exemplo clássico é o Titanic. Mas há consequências por manter a rota. O governo entra na eleição sem uma visão clara de futuro, e eleições são disputas sobre o futuro. E sempre há o risco do desgaste político pós-eleitoral, como a História ensina.
Um detalhe que precisa ser observado com atenção é os ventos soprarem para a direita na América do Sul, como se viu agora no Peru e na Colômbia. Duas situações em que todo o esforço da esquerda para transformar a eleição num plebiscito contra o que chamou de "extrema direita” não foi suficiente para alcançar a vitória na urna. Não é a primeira vez em que o eleitor relativiza a disputa ideológica em favor da solução dos problemas do dia a dia.
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