sábado, 25 de julho de 2026

As agruras do terceirismo

Esta eleição presidencial é a primeira em que as propostas de terceira via (na falta de um nome melhor) se alinham à direita. Mas seu sofrimento não vem sendo diferente do vivido pelas versões à esquerda nas eleições anteriores. Todas mostram grande dificuldade para transmitir expectativa de poder. Com pouca militância e organização social frágil, penam para atravessar o deserto e não chegam a reunir massa crítica. E aí não conseguem projetar expectativa de poder.

É um ciclo infernal.

Talvez as dificuldades do terceirismo devam ser buscadas, em primeiro lugar, no conceito em si. Começando pela constatação de que não existe um centro, mas dois. Há os ditos progressistas infelizes com a hegemonia do PT e há os liberais e conservadores incomodados com o domínio bolsonarista sobre o eleitorado do centro para a direita. Não espanta, portanto, a dificuldade que se repete periodicamente quando tentam fazer o casamento do jacaré com a cobra-d’água.

Outro entrave é o centrismo sentir-se obrigado a ser oposição estridente aos dois polos. Condena-se de antemão a restringir seu mercado aos nem-nem. Se o sujeito vai abrir uma pizzaria numa rua em que outras duas já disputam e dividem a clientela, sair falando mal da concorrência não parece ser o mais inteligente. Melhor tentar espalhar o que você oferece de vantagem para o consumidor, por que ele deve experimentar a novidade.

Sem chamar o sujeito de burro por frequentar a pizzaria ao lado.

Pior ainda quando se cai no equívoco de centrar fogo, na primeira oportunidade, em quem está ideológica e politicamente mais próximo, para tentar roubar-lhe o eleitor. No caso da direita, isso tem sido flagrante. O eleitor de direita que até poderia pensar em buscar alternativas ao bolsonarismo olha e conclui que a concorrência está mais interessada em derrotar Flávio do que em impedir que Lula ganhe mais quatro anos no Planalto.

E, como boa parte dos eleitores polarizados pelo petismo e pelo bolsonarismo só estão mesmo interessados em derrotar o outro lado — a velha história de que o eleitor de segundo turno mais quer derrubar alguém do que eleger alguém —, a consequência é aumentar a própria rejeição. Isso talvez explique em parte por que candidatos antes desconhecidos são mais rejeitado quanto mais vão sendo conhecidos.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

A hora das convenções

A tática do presidente da República no confronto com seu homólogo americano parece clara: esticar a corda até um ponto ótimo para auferir os dividendos eleitorais em outubro, mas sem rompê-la.

Depois da reeleição (Lula não trabalha com outra hipótese), torcer para que Donald Trump seja derrotado na eleição de deputados e senadores em novembro e se converta num lame duck (pato manco, aquele que tem mandato, mas não tem mais força política).

Depois, rezar pela vitória do candidato democrata em 2028 e, daí, garantir um ambiente amigável para fazer o sucessor em 2030. Basta recordar o papel do governo Biden na transição brasileira de 2022.

Será necessária alguma cautela para medir efetivamente o efeito dos atritos entre Brasil e Estados Unidos na eleição daqui. Até agora, os números eleitorais exibem razoável estabilidade, apesar dos fatos, ou factoides.

No agregado das pesquisas (o www.pollingdata.com.br faz um bom trabalho nesse aspecto), a distância entre os dois principais candidatos no cenário de segundo turno está apertada e tem insistido em oscilar nas margens de erro.

Neste período antes das convenções, o situacionismo vem sendo competente para produzir turbulências que, até agora, impedem, ou dificultam, a agregação da direita em torno de Flávio Bolsonaro.

Um risco para o petismo é o candidato do PL abrir a campanha oficial com uma coligação ampla e grande vantagem no horário eleitoral e nos recursos oficiais. No momento, esse risco parece minimizado.

Lula chega à véspera das convenções num quadro mais favorável do que se projetava no início do ano. Além da torrente de medidas populares, desfruta um inédito alinhamento institucional. Não há ator relevante na constelação do poder interessado numa mudança.

O problema? Mesmo com todas as condições objetivas favoráveis, as projeções atuais de segundo turno são-lhe bem menos róseas do que as de quatro anos atrás contra o Bolsonaro pai.

E a candidatura do PL vem demonstrando uma interessante resiliência.