segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Cury entra no jogo

O crescimento de Augusto Cury na Nexus/BTG desta segunda deu-se num espaço potencial apontado nesta análise há pouco mais de um mês: um certo mercado para candidatos que, em vez de atacar os dois polos, se apresentassem como elemento agregador. Está em As agruras do terceirismo. Há também o eleitor que vota em Flávio Bolsonaro porque não quer Luiz Inácio Lula da Silva, e o que escolhe Lula porque não quer Flávio.

As eleições presidenciais sempre reservam espaço para a tal terceira via, e desta vez Cury atropela na largada dos debates, das entrevistas e do programa eleitoral. Mas será necessário observar se ele consegue consolidar a cabeça de praia e, mais importante, "amaciar" o eleitor hoje cristalizado nos dois campos hegemônicos. Das vezes anteriores não aconteceu. E não cabe comparar com eleições (1989 e 2018) em que as estruturas tinham se liquefeito.

O que pode dar gás a Cury? Eventuais pesquisas que o apontem como mais competitivo num segundo turno contra Lula, na comparação com Flávio, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Expectativa de vitória. Expectativa de poder. Vamos aguardar os números.

Uma consequência imediata é a redução dramática da possibilidade de a corrida terminar no primeiro turno. A Nexus/BTG aponta 53% para os demais candidatos, contra 39% de Lula. E outro dado relevante são os cinco pontos de vantagem da desaprovação do governo sobre a aprovação. Isso precisará ser observado com carinho, pois é habitual governos melhorarem a aprovação em períodos eleitorais, quando podem divulgar com mais amplitude suas realizações.

Cury captura a maior parte da sua subida entre os inclinados a Flávio e eleitores que desaprovam o governo. O que é consistente com a manutenção do empate técnico entre Flávio e Lula nas projeções de segundo turno, pois esse eleitor faz o caminho de volta quando é colocado diante das opções de continuidade e mudança.

E algo que permanecerá inalterado até o final, especialmente se houver mesmo segundo turno, é que, ao fim e ao cabo, o eleitor decidirá entre dar ou não mais quatro anos a Lula e ao PT.

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