Alon Feuerwerker
jornalista e analista político
bio -> https://pt.wikipedia.org/wiki/alon_feuerwerker
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Vem aí a polêmica do "passaporte imunológico"
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Austrália enfrenta as big techs
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Ultraconcentração de vacinas
Dúvidas existenciais
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
Covid Longa
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
É cada um por si. Mesmo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
A frente ampla e a margem de manobra de Bolsonaro
O estilo e a linha do presidente, sabe-se, têm dois efeitos. Garantem a fidelidade de um núcleo duro, mas também estimulam a aproximação entre os potenciais adversários. Este segundo movimento hoje acontece numa velocidade compatível com a era digital. A dúvida? Qual será a capacidade de o desafiante escolhido no primeiro turno agrupar o antibolsonarismo no segundo.
Trata-se do repisado tema da “frente ampla”. O benchmark mais abrangente é a coalizão formada na transição para a Nova República em 1985. O caso histórico bem conhecido do deslocamento para o oposicionismo de personagens que haviam apoiado a deposição de João Goulart em 1964. Na estocada final, um pedaço inteiro do governista PDS (antes Arena) juntou-se ao PMDB (antes MDB) com a marca de Frente Liberal. Depois viraria partido (PFL, hoje Democratas).
Mas ali foi a culminância de uma caminhada de duas décadas, na qual a esquerda e os progressivamente convertidos foram se aproximando ao longo de sucessivas eleições e movimentos político-sociais antirregime. Dois (quatro?) anos não são vinte. Ainda que, como foi dito, a velocidade seja bem maior no mundo da internet. E tem outro aspecto, ainda mais significativo. Ali havia um acordo: todos os grupos oposicionistas aceitavam-se na frente.
Mesmo Luiz Inácio Lula da Silva, que depois no PT construiria um caminho próprio, apoiou Fernando Henrique Cardoso (MDB) para o Senado em 1978.
Sobre aquela época, pode-se argumentar que a aceitação mútua era facilitada por um detalhe: a hegemonia ali estava pré-estabelecida, havia um único partido permitido de oposição e era completamente controlado pelo que hoje se chama de “centro”. Ainda que persistisse no MDB uma disputa entre “autênticos” e “moderados”. Estes últimos dispostos a uma eventual negociação com o regime em torno da transição.
Tem mais. Do emedebismo raiz à esquerda, todos estavam excluídos do poder. E aí certa hora juntaram-se para fazer a passagem. É possível argumentar que o PT não votou em Tancredo Neves. Verdade. Mas talvez tenha sido também porque a vitória do mineiro era garantida. Nunca saberemos - e esta afirmação leva a vantagem de não poder ser derrubada pelos fatos -, mas é possível que se os votos do PT fossem decisivos contra Paulo Maluf a posição do partido teria sido outra.
Mais um detalhe. Havia na oposição razoável consenso sobre a necessidade de uma política econômica à época rotulada de heterodoxa. Foi a era de ouro dos economistas nacionalistas, defensores do papel do Estado. Depois deu errado. José Sarney atravessou sucessivas borrascas econômicas, editou sucessivos planos econômicos, que fracassaram todos, e quase caiu. Até cruzar a linha de chegada com a língua de fora. Mas isso foi depois.
Hoje 1) uma gorda parte da possível frente ampla está aninhada no Estado, 2) não há acordo básico sobre, por exemplo, os de fora do segundo turno apoiarem quem for à decisão e 3) o neo-oposicionismo apoia resolutamente a condução da economia pela dupla Bolsonaro-Paulo Guedes.
São obstáculos intransponíveis para a formação da frente? Não. Mas indicam que, mesmo com todas as dificuldades, o governo mantém margem de manobra. Resta saber como, e se, vai usar.
PIB-2020
Governos têm de funcionar
Passada a eleição municipal e empossados os escolhidos, começa a corrida pela vaga de Jair Bolsonaro. Competição da qual participa o próprio, muito disposto a suceder a ele mesmo. As municipais são nossas “midterm”. Nos Estados Unidos, elas elegem todos os deputados, uma parte dos senadores e dos governadores. Aqui, todos os prefeitos e vereadores. O ponto médio do período de quatro anos é a largada para a eleição seguinte.
O universo da política gira sempre em torno de eleições. Daí
haver certa ingenuidade (ou malandragem) quando se diz ao governante, nos
diversos níveis, “desça do palanque e governe”. Mais honesto seria admitir:
quem desce do palanque está arriscado a enfraquecer-se. Pior. Dada a
quase impossibilidade, aqui, de o eleito trazer com ele da eleição a maioria
parlamentar, se descer do palanque, aumenta o risco de ser derrubado.
Quem desce do palanque não governa, ou enfrenta imensas
dificuldades, inclusive porque a periodicidade e a assiduidade das eleições
exigem o reabastecimento permanente e atento da expectativa de poder, o que
pede ao político alimentar uma projeção de futuro. Isso é mais fácil para quem
está na oposição. Pois a pergunta “se está dizendo que vai fazer, por que não
fez ainda?” vive exposta na prateleira do supermercado mercadológico eleitoral.
É sempre possível, claro, dizer que não fez ainda porque não
deu tempo, porque pegou a situação com muitos problemas e precisa de mais
quatro anos para completar a obra. Esse discurso colar depende de algumas coisas,
duas delas muito importantes: a vida dos eleitores estar algo confortável e haver
operadores eficientes empenhados na construção da narrativa “as alternativas
não são boas, com elas a coisa poderia estar muito pior”.
Mas, regra geral, quem carrega a tocha da esperança é a
oposição, então o governo precisa estar sempre mostrando serviço e com uma
defesa bem articulada. Para fazer do presente a ponte da esperança de um
futuro mais bonito. No caso de agora, Bolsonaro precisa, em 2021, mostrar serviço
nas suas duas frentes principais: a vacinação e o suporte econômico aos mais
vulneráveis na pandemia. Sem isso, será alvo fácil em 2022.
Todos dizem que é provável termos vacinas em grande quantidade
a partir ainda deste semestre, e que isso é certo para o próximo. Se acontecer,
colaborará para “retomar a retomada” econômica (até o governo já prevê retração
neste começo de ano). O que pode fazer o povo chegar à eleição com um certo
alívio. Se a turma estiver vacinada e a economia crescendo, o candidato a
continuar terá credibilidade para falar de um futuro melhor.
Também por isso a vitória de Arthur Lira (PP-AL) foi tão estratégica. Permite a Bolsonaro atravessar estes meses mais delicados sem estar ameaçado pela guilhotina do impeachment. Se desse Baleia Rossi (MDB-SP), apesar de todas as declarações apaziguadoras, já se estaria armando o cadafalso habitual no Brasil. Mas, vamos repetir, o governo precisa funcionar. Nada, ou quase nada (na política o “quase” é importante), pode substituir isso.
Publicado na revista Veja de 17 de fevereiro de 2021, edição nº 2.725
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Um palpite sobre o teto
Parecem convergir as preocupações dos políticos e das autoridades econômicas. O presidente da Câmara dos Deputados pede que o governo encontre rapidamente um caminho para retomar alguma modalidade de auxílio emergencial, mesmo com outro nome (leia). Natural.
Mas o presidente do Banco Central foi quem trouxe a novidade. Segundo ele, a queda da atividade decorrente do fim do auxílio emergencial está além do esperado (leia). Engenharia de obra feita é relativamente confortável, dirão, mas não era tão difícil assim imaginar que aconteceria.
Inexiste terceira opção. Ou a economia volta a operar num bom ritmo, e isso implica abrir mão de lockdowns mais amplos, ou se encontra espaço fiscal para apoiar os mais vulneráveis, e não só eles. Tem as empresas, os estados, os municípios...
E o teto de gastos, norma constitucional que deveria valer por vinte anos? Já não valeu em 2020, por causa da pandemia. Tampouco vai, pelo jeito, valer este ano. A explicação será a mesma. E o mundo político está em busca de uma solução permanente para situações de calamidade.
Querem um palpite? A próxima exceção serão os investimentos. Só esperar.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
As fichas vão caindo
E o governo federal vai continuar ajudando as prefeituras em 2021, o segundo ano da pandemia da Covid-19. Foi o que disse hoje o presidente da República (leia). Tem lógica. A doença leva todo o jeito de querer atravessar o ano. A vacina certamente vai ajudar a mitigar, mas é bom ir se habituando à convivência com o vírus até pelo menos 2022.
Outra ficha que já caiu foi a da necessidade de prorrogar o auxílio emergencial, tanto faz se com outro nome, e ainda que falte decidir o valor exato. Os fatos são teimosos. O comércio teve em dezembro a maior retração em duas décadas, mesmo que no acumulado do ano tenha mostrado um pequeno avanço sobre 2019 (leia). Mas o dezembro ruim é prenúncio de números complicados neste começo de 2021.
E chegamos às duas conclusões inescapáveis. A Covid-19 não irá embora tão cedo e o poder público precisará endividar-se para ajudar as pessoas, as famílias e as empresas. E tem uma terceira. Começa a balançar o teto de gastos, previsto para um período de normalidade (ainda que prever 20 anos de normalidade no Brasil tenha sido ousado) e agora confrontado com a vida real.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
A OMS em Huanan
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
O dia da Covid
O governo estuda formas de estender o auxílio emergencial, outras contrapartidas e, principalmente, outros valores (leia). Não tem mesmo muita saída. Várias previsões projetam alguma retração da economia neste primeiro trimestre (leia). E até que pelo menos uns 60% da população estejam imunizados a recuperação econômica robusta é pouco provável.
A boa notícia de hoje nesse sentido veio da Pfizer. Segundo a big pharma, a vacina dela neutraliza recentes variações do SARS-CoV-2 (leia). Por enquanto em laboratório, mas de qualquer jeito é um começo. Espera-se que as demais vacinas, especialmente no nosso caso as mais acessíveis aos países em desenvolvimento, consigam o mesmo efeito.
Enquanto isso, pouco a pouco, os estudantes vão voltando às aulas Brasil afora, espremidos em pinça pela política, ou politicagem, e pelo sindicalismo. Neste recomeço, a frequência ainda não está a mil (leia), mas tem sido só questão de tempo. Afinal, é cada vez mais complicado explicar por que as escolas deveriam ser o último universo a reabrir as portas, e não o contrário.
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Instabilidade ou estabilidade?
Vitoriosas as candidaturas apoiadas pelo Planalto na eleição das mesas do Congresso Nacional, abriu-se o debate sobre a solidez da aliança entre Jair Bolsonaro e o assim chamado centrão. O discurso corrente é o pacto tender à fragilidade, pela contradição entre o programa liberal e austero, capitaneado pelo ministro da Economia, e uma dita tendência gastadora e estatista da coalizão parlamentar vencedora em 1º de fevereiro.
Ou seja, o vetor dominante seria de instabilidade.
Antes de entrar nessa discussão, vale notar que a “frente ampla”
antibolsonarista mostrou bem mais vigor nas páginas da cobertura política pré-eleitoral
do que na urna eletrônica propriamente dita. Arthur Lira (PP-AL) teve cerca de quinze
a vinte votos além do que lhe davam as medições mais calibradas, mas Baleia
Rossi (MDB-SP) recolheu no mínimo uns cinquenta a menos. Que provavelmente
vazaram na maior parte para candidatos sem chance.
Ao final, a esmagadora maioria dos votos de Rossi vieram dos
partidos “de oposição mesmo”, da esquerda e da rotulada centro-esquerda. A
direita e a assim chamada centro-direita ficaram com Lira. A ideia de uma
coligação tática entre, vamos simplificar, a esquerda e setores
antibolsonaristas da direita não passou nem da fase de grupos neste primeiro
teste. E aí irrompeu, como habitual, a explicação mais fácil: as verbas e os
cargos.
E disso nasceu a suposição de que a união entre o
presidente da República e a maioria reunida em torno de Lira e Rodrigo Pacheco
(DEM-MG) [o Senado não tem tanta utilidade assim para a análise, pois ali
até o PT apoiou o vencedor] é frágil, baseada apenas na troca de favores. O
futuro dirá, mas essa visão corre o risco de estar mais influenciada pela insatisfação
com o desfecho da refrega do que pelos fatos à disposição do analista.
Por falar neles, os fatos, um é que a Câmara tem hoje, como
vem tendo tradicionalmente, pelo menos dois terços de deputados eleitos do ponto médio para a direita, sobrando um terço para o outro campo. Como alguns segmentos
da direita apoiavam os governos petistas em troca de espaço na
Esplanada e poder sobre recursos orçamentários, floresce a teoria de que seriam
parlamentares, digamos, sem lado, sem cor ideológica.
Será? Um problema sério
da candidatura Baleia Rossi foi deputados do MDB, DEM e PSDB precisarem administrar nas
suas bases estar aliados ao PT e à esquerda. Isso ajudou a induzir à ruptura do
Democratas e quase levou à ruptura do PSDB. Aliás, basta relembrar qual tinha
sido o clima nos municípios em que emedebistas, tucanos e demistas tiveram de
enfrentar adversários da esquerda no ainda recente novembro de 2020.
Notou-se também na segunda feira, abertos os resultados, que
se a oposição de verdade tivesse lançado um candidato do seu bloco possivelmente teria
ficado em segundo lugar. E se houvesse segundo turno teria perdido nele para
Lira. Aliás, o apoio da esquerda a Rossi foi explicado também pela
impossibilidade de o chamado centro votar na esquerda. No fim, ele votou
mesmo foi de cara no candidato do governo. Um banho de realidade.
A força centrípeta exibida pelo bolsonarismo na eleição das mesas deveria produzir alguma cautela nas previsões de instabilidade na relação com o Congresso. Se a popularidade de Bolsonaro não descer pelo ralo, a tendência é o presidente ir ao segundo turno em 2022 (na hipótese de haver dois turnos). Isso dá a ele uma expectativa de poder que serve de ímã. E não haveria dificuldade maior de a massa parlamentar acoplar-se a Bolsonaro na eleição.
O que poderia instabilizar essa fórmula? O surgimento, do
outro lado, de uma força eleitoral capaz de expressar possibilidade real de
poder. A correlação de forças está à espera desse adversário. É como a política funciona.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
Um em cada cinco
Exames laboratoriais em uma amostra populacional concluíram que quase um terço da cidade de São Paulo carrega anticorpos contra o SARS-CoV-2 (leia). Ou seja, já teve contato com o novo coronavírus. Acontece que o número de casos comprovados da Covid-19 na capital paulista é algo como 20% disso.
Portanto, a crer no levantamento, a testagem só captura um em cada cinco infectados. E é razoável supor que a esmagadora maioria dos que continuam incógnitos sejam assintomáticos. Um lado da moeda é que talvez se esteja testando pouco. O outro é que talvez nunca se venha a testar o suficiente.
E além dos que carregam anticorpos, dizem os cientistas, mais gente pode estar protegida, por mecanismos de defesa celular (leia). Bem, os dados do estudo e outros devem sempre ser relacionados às taxas de curvas e mortes (leia) para tentar entender sua real dimensão.
De todo jeito, e sendo otimista (e é sempre útil ter um pouco de otimismo), se a taxa de infectados Brasil afora não estiver tão longe assim dos números de São Paulo (capital), e se a vacinação ao longo dos próximos meses caminhar bem, talvez possamos certa hora falar em luz no fim do túnel.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
A OMS na China
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
O que muda e o que fica igual
Finalmente elegeram-se por completo as mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Comandam ambas aliados do presidente da República. Se não aliados históricos, ao menos personagens que chegaram lá também pela força do governo.
O que muda em relação à situação anterior? Pela primeira vez em seis anos, haverá uma sincronia maior entre o Executivo e o Legislativo. E o risco de impeachment caiu verticalmente. Essa eventualidade depende agora de um desarranjo político ainda fora do radar.
Ou de surgir o assim sempre chamado (e por alguns esperado) fato novo. Que na política brasileira nunca é conveniente descartar. Mas ainda não está no horizonte. Uma possível fonte é o Judiciário, ainda que a Operação Lava Jato esteja no ocaso.
Ou seja, tudo indica que a pauta legislativa vai andar. Os juízes não vão mais travar o jogo. Mas o desafio maior continua do mesmo tamanho. O governo precisará reunir os votos. Foi competente para fazer isso na eleição das mesas. Vai ter a mesma competência para aprovar suas propostas?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Olimpíada em 2021?
Vento a favor do governo
O governo e o presidente Jair Bolsonaro conseguiram na tarde e na noite de ontem duas vitórias decisivas: ver eleitos para a presidência das casas do Congresso dois aliados. Haverá naturalmente a necessidade de negociações políticas em torno da pauta legislativa, mas essa é uma realidade posta permanentemente.
Serão negociações duras, porém com uma diferença em relação ao quadro anterior, principalmente na Câmara. Serão negociações feitas com aliados.
A chamada centro-direita votou em Jair Bolsonaro no segundo turno em 2018 para derrotar o PT, mas previsivelmente foi se afastando do presidente ao longo dos dois primeiros anos do mandato. Em parte por diferenças na condução das políticas governamentais, e na maior parte pelo desejo de buscar alternativa própria em 2022.
Não à toa, a oposição mais vitriólica a Bolsonaro passou a ser a da direita, ou centro-direita, tradicional. E que para a eleição de ontem apostou tudo no candidato apoiado pelo agora ex-presidente da Câmara dos Deputados. Apenas para ver o grosso das suas bases capturadas pela agressiva articulação política do Palácio do Planalto.
A aliança da direita não bolsonarista com a esquerda na tentativa de fazer o presidente da Câmara enfrentava um problema estrutural. Nos estados, essas duas correntes são habitualmente adversárias. Diz a sabedoria que toda política é em última instância local.
Se não foi simples para o PT explicar por que apoiava quem liderou o impeachment de Dilma Rousseff, tampouco era fácil para o PSDB, o MDB e o DEM explicar por que estavam aliados ao PT. O primeiro ainda pôde argumentar com o antagonismo entre o presidente da República e o governador de São Paulo, candidato ao Planalto. O segundo tinha o postulante à vaga em disputa ontem.
Mas para o Democratas certamente não era natural. A realidade comprovou.
Ainda restam a preencher os demais cargos da mesa, e distribuir as presidências das comissões. Será preciso esperar para ver como vai ser desatado o nó regimental em que o novo presidente da Câmara se baseou para anular a escolha ontem dos outros postos. Talvez seja resolvido ainda hoje.
Mas algumas coisas já podem ser ditas. O impeachment de Jair Bolsonaro transformou-se numa escalada de rocha vertical para a oposição. Fatos políticos geram tendências inerciais. A vitória de ontem faz o processo político agora correr a favor e não contra o presidente da República. A oposição precisará de bem mais do que tem hoje para reverter isso.
E as reformas? O governo se verá na contingência de negociá-las com o Congresso. Mas essa já era a realidade anterior. Bolsonaro nunca teve uma maioria automática e continua não tendo. A diferença agora é que o comando da Câmara não mais é parte de uma articulação cujo objetivo central é criar problemas para ele e no limite removê-lo.
É provável que os dois primeiros pontos de atenção do Congresso sejam novas medidas emergenciais econômicas para a pandemia e a vacinação contra a Covid-19. Outras reformas, estruturais, devem entrar na pauta, mas sempre de forma negociada com o comando das casas e com os líderes. Vamos aguardar para ver a ordem de prioridades.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Olhar a leste
Países europeus voltam-se para leste a fim de encontrar vacinas em quantidade para seus cidadãos, pois depender somente do Ocidente não está se mostrando razoável (leia). Governantes sabem que uma hora vão entrar em zona de risco se por circunstâncias geopolíticas deixarem seus povos sem imunizante.
Ainda não se sabe exatamente mundo afora quanto cada vacina vai funcionar, mas de uma coisa tem-se certeza: é melhor estar vacinado do que não estar. O debate científico é fundamental, as porcentagens são importantíssimas, mas o povão prefere não esperar pelo veredito final dos cientistas.
Até porque a sentença definitiva pode demorar muito para vir.
Hoje decidem-se os comandos dos dois pratos do Congresso Nacional para os próximos dois anos. Incertezas à parte sobre os próximos dias, semanas e mesmo meses, uma coisa está absolutamente garantida: o debate sobre a vacinação é candidato forte a estrela na reabertura dos trabalhos.
Se o governo for inteligente, deve fazer como estão fazendo, por exemplo, os insuspeitos alemães. Ir buscar vacina contra a Covid-19 onde ela estiver disponível, e brigar pelo abastecimento. Fica a dica.